19 dezembro 2009

A gente tem tantos planos pro futuro que acaba esquecendo o agora'

E é triste saber que você estava ali nos meus braços, esperando para ser esculpida novamente, e eu sem perceber das dores ao redor alimentava os pensamentos com a dor que eu sentia. A sensação de incapacidade logo toma meu espírito. Tarde demais. Afogo-me em lagrimas de perda. Saber que esta ali e não posso sentir, não posso tocar, será que ainda permites que me manifeste? Não é hoje nem amanha que vai significar o fim. Não é hoje nem amanha que tudo vai começar a fazer sentido pra mim. Em meus pensamentos ainda não surgem aqueles momentos únicos e maravilhosos que tivemos, a imagem no ultimo dia, como uma ironia, me cerca. Eu tive você em meus braços, e o que realmente queria fazer, meu subconsciente não permitiu, não permitiu que com atitudes melhorasse. Na solidão dos pensamentos mais cheios de você, eu me encontro. Talvez o ‘adeus’ não foi correto, talvez ainda não seja ‘adeus’, a gente vai partir, a gente vai se reencontrar, ainda não acabou. Nem que a amizade prevaleça mais do que tudo, mais do que deveria ter acontecido, é o que eu espero.

“Talvez não seja nessa vida ainda

Mas você ainda vai ser a minha vida.”
- Armandinho

03 novembro 2009

apaixonante'

O relógio na parede me avisava meia noite. Lá fora a natureza ao meu redor, aqui eu e meus pensamentos num papel.
Mais um dia se passa e você em meus pensamentos está. Você esta em cada parte desse lugar, encostada me esperando impaciente na porta, cochilando no sofá, seu cheiro me tortura toda noite quando sou forçada a deitar em minha cama e não conseguir dormir, sendo obrigada a vagar por todos os cantos onde sempre acabo a encontrando.
Tirei todos os retratos da parede, joguei fora todas as cartas que me escreveu, ainda não é o suficiente, e pelo visto nem nunca vai ser.
Eu sento na escada, de frente a porta e espero, até hoje espero que volte. Espero que se lembre que ainda preciso de você. Tento não pensar que você um dia foi para nunca mais voltar.
O sol nascendo eu tenho a felicidade de ver; entre duas arvores, a rede me acomoda. É um novo dia e a esperança sempre renasce nos meus olhos cada manha. A brisa toca meu corpo e me embala para um cochilo. Até sentir seus lábios tocando os meus, abro os olhos para uma grande surpresa. Você! Ali! Com um sorriso imenso que imediatamente me acolhe. Ao chão caímos com o jogar de um abraço. Ao chão ficamos a nos observar. Esperando aquele momento certo de agir, aquele momento exato de sentir, aquele momento.. aquele momento.. naquela manha, como tantas as outras que havia esperado, não ousou me decepcionar ao sentir sua boca na minha; não foi a mesma manha, ao sentir seu amor em minha pele novamente.
Foi como se fosse a primeira vez, você me tocava com toda a delicadeza; com todo o cuidado, de uma maneira apaixonante, você tirava cada peça de roupa que eu possuía. A vontade uma da outra era tanta que em segundos éramos duas nuas mulheres a fazer amor no chão debaixo de uma rede sob o sol do meio dia. O calor era tanto que parecia ferver meu sangue e cada vez mais me encorajar nessa loucura de ter você de novo. Seu corpo, ali, todo meu. Eu te beijava o pescoço, te possuía com leves mordidas. Com a língua experimentava o quão doce eram seus seios, ao senti-lo suave em minha mão, o outro beijava minha boca e consciente me levava ao delírio. Suas mãos passeavam pelo meu corpo fazendo coreografias à melodia do nosso amor. Meus beijos desciam conforme você os desejava, você se arrepiava a cada primeiro beijo. Até chegar ao meu destino, minha boca já não fazia parte de mim, era você, estava toda em você, o tempo já havia parado e eu ali, sentindo você em minha boca, sentindo cada arranhão, cada mordida, cada mínimo afago. Aquele sol escaldante nos fazendo derreter uma na outra. Aos sons de suas caricias me vejo dominada, agora quem me prova é você. Você que não deixa passar despercebido cada curva, cada simples gesto tem o seu mais puro significado. Os sons de delírio chegam aos seus ouvidos como fortes mordidas, então acelera seu toque em meu sexo e não me deixa parar de cantar, altas notas, baixas notas, gemem com o movimento a ser passado em meu corpo. Gotas de suor escorrem entre meus seios e você os toma para se refrescar. Eu já não tenho nome, já não sei quem sou, pois me perdi em você. Você já não se lembra do que passou, pois tudo é agora. Tudo que a gente tem é esse momento. A noite cai e é você a quem tenho em meus braços.

A brisa volta a tocar meu rosto, eu fecho os olhos e me sinto voar. Ao voltar vejo as estrelas me observando, vejo a lua me guiando, vejo que você não esta. Percebo que foi outra manha como todas as manhas, era você em meu pensamento, mera lembrança. Apenas o seu cheiro no ar, e a chuva vindo ao meu encontro me purificar.

29 outubro 2009

SOLILÓQUIO 01

Uma tribo
É isso que eu sou
Esse "eu" estranho
Que nunca a civilização
controlou
Eu vou limpar minha alma
Para me renovar
Para cair
E para me torturar
Com uma dor de dentes insuportável
Com gengivas inflamadas
E uma terrível câimbra nos maxilares
Que me absorve totalmente
E me faz romper com tudo
Até o ponto de não
Tocar mais a vida
Até o ponto em que o desaparecimento se revela
Eu vou limpar a minha alma
E não vou parar
Antes de encontrar a paz
Antes de parar de me perder nos meus pensamentos
Antes de me libertar da dor de ser livre
Essa dor ardente
Sentir os pensamentos que se deslocam
Estar sempre a caminho
E jamais parar
Em mim
Eu não vou parar de
Limpar minha alma
Camada após camada
Até que reste apenas
A calcificação esférica
De um único pensamento
Eu sou um espírito queixoso
Que não sabe como agir
E que toma sempre o caminho incerto
Da mortificação delirante que é sua vida
Que gravita apenas nos despenhadeiros escarpados
Talvez eu tenha apenas uma tarefa!
Eu mordo a mão de Deus
Eu não solto os dentes
Continuo a morder até ser lavado
Pelos jatos de sangue de Deus
Eu não devo me purificar
Porque ele me cega
Estou destinado a ser um vidente 2
Que não vê
Eu erro
Eu flutuo
Eu não vou parar
Camada após camada
Eu vou limpar minha alma
até que reste apenas
a calcificação esférica
de um único pensamento
Eu sou o velho cão
selvagem
Que vê as cores do arco-íris
E que geme e chora sob a lua e
Sob o sol
Pssss, pssst, pssst, pssss, pssst,
Pssss
Um esqueleto destroçado
Envolvido por músculos finos e ardentes
Raquíticos e crispados
Como se fosse feito de vidro
E frágil
Para examinar o estrangulamento do seu ser
Pssss, pssst, pssst, pssss, pssst,
Pssss
Eu sei
Eu perdi a minha língua
Mas isso não dá a vocês
o direito de continuar
Eu desconfio
Dessas merdas peremptórias
Que etiquetam
As criações e o pensamento
Pssss, pssst, pssst, pssss, pssst,
Pssss
Eu desconfio dos cantores de ópera
Esses funcionários gordos e
bem pagos
que escarram sons em sua alma com
a precisão de flechas castradas
Pssss, pssst, pssst, pssss, pssst,
Pssss
Eu desconfio dos compositores
Essas putas de opereta que vomitam notas
E copiam uns dos outros as
Melodias afetadas
A golpes de mouse no computador
Pssss, pssst, pssst, pssss, pssst, 3
Pssss
Eu desconfio dos atores
Esses travestis maquiados demais
Que só sabem falar quando
Alguém lhes escreve um texto
E parecem papagaios mecânicos
Pssss, pssst, pssst, pssss, pssst,
Pssss
Eu desconfio dos escritores
Esses escrevinhadores plagiários
Que deixam seu espírito traficado girar
Ao sabor dos ventos, como cata-ventos
Pssss, pssst, pssst, pssss, pssst,
Pssss
Lá onde outros propõem criações
Eu só quero mostrar
Meu espírito implicante
Eu não quero mais lamentar isso
Pois eu perdi a minha língua
Pssss, pssst, pssst, pssss, pssst,
Pssss
O que estou fazendo?



- Jan Fabre

21 outubro 2009

06.10.09'

Nada passava despercebido naquele corredor tão estranho, a não ser eu. Palavras escritas, palavras falavam, palavras ouvia. Até então, ouvir o meu passado chamar no final do corredor, ‘oi linda!’, aquela voz, aquele cheiro, num momento rápido de piscar os olhos, voltava para casa; ouvia ‘vem! Vem!’ Enquanto meu caminho de volta eu corria. Ao me jogar em seus braços foi como voar sobre lembranças.
Tudo era tão bom, e ‘tudo vai ficar bem’, vou matar as saudades enquanto ainda posso.


Guigo,♥

03 outubro 2009

Aqui, um coração parado no tempo. Lá fora a vida continua sem saber..

Ao lado nada me chama atenção. A minha frente, algo que não consigo alcançar.

O guerreiro conhece uma velha expressão popular: “se arrependimento matasse..”.
E sabe que arrependimento mata; vai lentamente corroendo a alma de quem fez algo errado, e leva à autodestruição.
O guerreiro não quer morrer desta maneira. Quando age com perversidade ou maldade – porque é um homem cheio de defeitos – ele não tem vergonha de pedir perdão.
Se ainda é possível, usa seus esforços para reparar o mal que fez. Se a pessoa a quem atingiu já está morta, ele faz o bem a um estranho, e oferece a tarefa em intenção à alma de quem feriu.
Um guerreiro da luz não se arrepende, porque arrependimento mata. Ele humilha-se, e conserta o mal que causou.


Um sonho tão perto, um futuro distante. Eu não sei, nem você sabe o dia de amanha. Estou eu, agindo com meu coração. Se não confias hoje, eu tentei de tudo para fazer com que confiasse. Lembranças do começo, do que foi tão puro vem a minha mente; ‘tudo que eu mais quero é ver você feliz’, é com o meu coração partido que te deixo ir, que sejas feliz e que olhe com o coração para as pessoas que agora cruzarem seu caminho. Eu sempre vou estar ali do seu lado, como um anjo da guarda, te protegendo, te fazendo sorrir, te amando por maior que seja minha solidão.


..mais que tudo, eternamente.

19 setembro 2009


Dar tempo ao tempo..

Esperar? Quanto tempo? ‘Dar tempo ao tempo.’ Como assim? Eu espero por ti, mas até quando vou poder esperar? Hoje, amanha e depois, um mês, quem sabe dois.. ‘Dar tempo ao tempo.’ Mas quanto tempo? O agora já é passado, todo esse tempo eu ainda aguardo. São sete dias, vinte e quatro horas cada. Quanto tempo ainda vou esperar? Quanto tempo ainda vai me fazer esperar? ‘Dar tempo ao tempo.’ Não sei. Viver o AGORA é o que todo mundo tenta fazer com o maior esforço. E o futuro?

Te amo mais que TUDO!

..espero.

02 setembro 2009

Fazia tempo que eu não conversava com um estranho;

Branco: paredes, mesas, bancos, cadeiras. Corredores e mais corredores.. brancos. Sala pequena; quinze apertados não caberiam. Dois sofás, frente a frente se encaravam. Sacas, pernas inquietas?! ..como se meu sofá piscasse. Um bege, um azul bebê fazia a diferença. Entre duas ou três perguntas, 6 ou 7 respostas eu dava; vontade imensa de me expressar. Gesticulava montes, mania que peguei recentemente de uma amiga.Ao fechar de porta atrás de mim, o tempo era menos que um detalhe. Na saída, ao olhar o relógio na parede, os 10 segundos que passara lá dentro, se transformaram em 50 minutos de historia lá fora; enquanto que no quarto branco historias eu contava.

31 agosto 2009




Depois de 19 anos,
Depois de várias brigas familiares,
Finalmente irei ao encontro tão esperado..
Imagino um sofá marrom, uma estante cheia de livros, e não mais do que ser ouvida.
Afinal, depois de 19 anos se tem muito a falar, a debater, a questionar.
A primeira coisa que a minha mãe falou, foi: ‘vê se vai lá e conta sobre esse teu probleminha também..’ Que probleminha?! O fato de eu ser lésbica?.. Um problema? Pra mim não. Talvez não deveria ela ir no meu lugar? Já que vê minha orientação sexual como um ‘probleminha’.. Enfim.
Não sei o que pensar nessa [primeira] ida ao psicólogo. Mentir, não tem nem o porque. Não vou esperando uma ‘melhor amiga’ que ao chorar vai me dizer que tudo vai se resolver; ou que compartilharemos historias semelhantes.




..sl

the first time I saw you'