Sabe quando você escuta somente uma música e ela diz exatamente tudo o que você está passando? Não paro de ouvir a mesma música, de novo e de novo. Lá fora, a janela me mostra poucas luzes acesas, mas essas poucas não querem dizer nada; por dentro delas pode haver ao claro uma criança dormindo, ou no breu alguém chorando. Engraçado como estou enxergando os grampos de roupa no varal, como se fosse um fio de luz e os pássaros todos por perto. Será que ela vai notar a minha ausência quando não me ver ali? Ausência. Palavra triste, se você for pensar bem. Tenho certeza que não foi o café que não me deixa dormir. Na madrugada tudo é tão mais fácil de analisar, é tão mais fácil perceber e é tão mais fácil viver. A única claridade é a que vem de fora, produzida por algum poste de luz que reflete na parede o formato retangular da janela. Mas não tão claro, a ponto de eu poder me esconder se quiser; ninguém veria se passasse. Independente de ter todos a minha volta, eu tenho que saber seguir sozinha. Talvez essa noite eu me afogue nas minhas próprias lágrimas. É tão difícil ter que mesclar um sentimento, mesmo tentando proteger alguém; eu sei que há alguém sofrendo mais que eu, por isso tenho que ser forte por ela. Tenho que tirar de mim a força que não encontro mais. Mas no final do dia chega a ser tão exaustivo ter guardado tudo pra si, que chorar assim talvez seja a melhor solução quando se está só. A chuva não me acompanha mais por hoje, as nuvens se vão, deixando para traz quem precise delas. É estranho pensar que cada vez mais você vai se distanciando; cada segundo que passa, é um segundo que não volta mais. Não tem mais volta. E se ontem o senhor estava correndo atras das crianças naquele longo campo verde, tentando pegar todas de uma vez, mas de tão vasto, elas se distanciavam uma da outra e seus braços já não alcançavam duas de uma vez; hoje a certeza de que isso não voltará, e amanhã a saudade.
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