21 junho 2010

Não entendia porque, mas a moça, mesmo no inverno estava à beira da piscina todos os dias. Tocava a água com sua palma, e estranhamente não se via um arrepio. Somente alguém tão fria poderia não sentir o gelo na pele que o vento trazia.
Por dias fiquei a observar toda noite, aquela moça indo à beira da piscina. Olhava fixamente para dentro, como se perdesse algo ali, mas não fazia menção de procurar, pois sabia que já estava perdido, não haveria mais volta.
Morava sozinha em uma casa muito grande para se estar só. Como se encontrar em meio a tanto espaço? Tinha tanto, mas seu olhar profundo mostrava não ter nada. Rodeava a piscina para buscar o inalcançável.
Se aqui dentro eu sentia o frio de 5°, mal sabia como a moça poderia suportar lá fora.
Cansei, foi uma noite longa a observa-la e mesmo quando acordo a vejo sentada com os pés dentro d'água. Fico imaginando o que sentia. Frio? Medo? Nada? Ela não parecia sentir, apenas buscar.

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