Me pergunto o que as pessoas buscam todos os dias? Um amor? Um emprego? Um amigo? Uma aceitação? Há muito mais egoísmo do que pensamos. Há muito mais despreocupação do que vemos. Na casa ao lado, agora vejo um velho a caminhar no jardim. Me desapego da moça, pois não mais pretendo descifra-la agora. O velho cheirando as flores e observando as arvoes, me chama a atenção. Vejo muitos anos em seu rosto. Muitos anos bem vividos. Vejo a saudade que lhe cerca. No que ele pensa? Há uma aliança em sua mão esquerda, mas esta só. Todos na casa ao lado tem companhia mas estão só. Ele senta em um banco em baixo de uma das várias arvores. Sente o sereno em seu rosto e sorri. Não fica muito tempo ali, mas também não pouco, o suficiente para lembrar de alguém que um dia lhe fez bem. Se levanta e não vê que deixa cair um retrato; de longe não posso ver os detalhes. O velho segue em frente, como se nada o fizesse falta. O vento leva para mais perto de mim o retrato. O mesmo velho, bem mais jovem. E um moço, que no tempo da fotografia deveria ter aparentemente a sua mesma idade. Ambros se abraçam e sorriem.
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